BRASIL
o Brasil é um país novo que se imagina velho, e um país velho que se supõe novo.
o Brasil é um país novo que se imagina velho, e um país velho que se supõe novo.
No livro O Avesso das Coisas, conjunto de máximas com aparência de mínimas, o poeta Carlos Drummond de Andrade tira do cotidiano não apenas o lírico mas
também o curioso, o imprevisível, o insólito. O livro reúne aforismos
engenhosos que revelam seu modo pessoal de ver as coisas.
Já o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, comentando as eleições
de hoje, apelou num post na internet "Não seja mais um
votário. Só conta o que nós mesmos fazemos", acrescentando que "O voto nulo é agora um dever cívico incontornável. Declaro de antemão meu voto neste segundo turno: não vote, lute."
Hoje foi dia de eleições no Brasil.
Dilma venceu em 15 estados, Aécio em 9, Marina em 2.
Dilma venceu em 15 estados, Aécio em 9, Marina em 2.
Eleito governador em Minas Gerais, o petista Fernando Pimentel destronou o PSDB há 12 anos no poder, o ex-jogador de futebol Romário foi eleito Senador pelo Rio de Janeiro, com uma votação surpreendente, e no Estado de São Paulo, Celso Russomanno foi o deputado mais votado do País, seguido do famoso humorista Tiririca, que prioriza projetos para palhaços, e do pastor Marcos Feliciano, conhecido pelas suas polêmicas frente à Comissão de Direitos Humanos e Minorias, que presidiu no ano passado.
No Fórum Social Mundial, que aconteceu no Brasil em Porto Alegre, em 2005, numa palestra a propósito de Dom Quixote, utopia e política, José Saramago dizia:
"...a democracia em que
vivemos é uma democracia sequestrada, condicionada, amputada. O
poder do cidadão, o poder de cada um de nós, limita-se, na esfera
política, a tirar um governo de que não se gosta e a pôr outro de
que talvez venha a se gostar. Nada mais. Mas as grandes decisões são
tomadas em uma outra grande esfera e todos sabemos qual é. As
grandes organizações financeiras internacionais, os FMIs, a
Organização Mundial do Comércio, os bancos mundiais. Nenhum
desses organismos é democrático. E, portanto, como falar em
democracia se aqueles que efetivamente governam o mundo não são
eleitos democraticamente pelo povo? "
DEMOCRACIA
é a forma de governo em que o povo imagina estar no poder.
Embora muitos apontem o projeto desenvolvimentista do PT como um entrave a uma mudança real de paradigma social, que possa desafiar o liberalismo econômico internacional, e resgatar uma nova relação com o território, integrando as comunidades indígenas, promovendo a inclusão das minorias, para uma maior igualdade, eu ouvi a Dilma dizer hoje duas coisas em seu discurso de agradecimento:
que a política do FMI deve ser combatida
que a prioridade do seu segundo governo será a reforma política
e li também a ativista e pesquisadora em comunicação Ivana Bentes:
"Eu voto porque somos ingovernáveis! Na coluna deste sábado, Zé Miguel Wisnik sempre elegante, faz no Globo um balanço, de várias posições pro e contra Dilma e Marina. Me cita no debate como tendo optado por Dilma por "pragmatismo ativista". Bem, não voto em Dilma por "pragmatismo" ao contrário, o delírio (no sentido de aposta, risco, fabulação) é bem mais estruturado: Dilma é só uma parte de um processo muito mais potente que está em curso. As experiências autônomas e horizontais são em parte efeito desse processo político de 12 anos, um processo de auto-organização e governança em curso. São essas forças que farão e forçam hoje a uma "virada de imaginário" em tantos campos. Dilma será atropelada por essas mudanças se ficar refém do governismo e apartada dos movimentos sociais."
Então, eu não sei o que se vai passar com este país nos próximos tempos, e eu não posso sequer votar aqui. Estava hoje falando com minha amiga Ana, que fui levar ao aeroporto, que a última vez que votei foi nas eleições legislativas portuguesas de 2011. Também quero ver um sistema diferente, maior participação popular, mais crítica e autonomia de pensamento.
Mas o que eu acho é que apesar de tudo (e desse tudo faz parte o conservadorismo ter saído do armário e a gente se perguntar afinal de contas o que queria essa gente que foi para a rua em junho de 2013) as forças que animam a vida social brasileira estão vivas, e recomendam-se.
DEMOCRACIA
é a forma de governo em que o povo imagina estar no poder.
Embora muitos apontem o projeto desenvolvimentista do PT como um entrave a uma mudança real de paradigma social, que possa desafiar o liberalismo econômico internacional, e resgatar uma nova relação com o território, integrando as comunidades indígenas, promovendo a inclusão das minorias, para uma maior igualdade, eu ouvi a Dilma dizer hoje duas coisas em seu discurso de agradecimento:
que a política do FMI deve ser combatida
que a prioridade do seu segundo governo será a reforma política
e li também a ativista e pesquisadora em comunicação Ivana Bentes:
"Eu voto porque somos ingovernáveis! Na coluna deste sábado, Zé Miguel Wisnik sempre elegante, faz no Globo um balanço, de várias posições pro e contra Dilma e Marina. Me cita no debate como tendo optado por Dilma por "pragmatismo ativista". Bem, não voto em Dilma por "pragmatismo" ao contrário, o delírio (no sentido de aposta, risco, fabulação) é bem mais estruturado: Dilma é só uma parte de um processo muito mais potente que está em curso. As experiências autônomas e horizontais são em parte efeito desse processo político de 12 anos, um processo de auto-organização e governança em curso. São essas forças que farão e forçam hoje a uma "virada de imaginário" em tantos campos. Dilma será atropelada por essas mudanças se ficar refém do governismo e apartada dos movimentos sociais."
Então, eu não sei o que se vai passar com este país nos próximos tempos, e eu não posso sequer votar aqui. Estava hoje falando com minha amiga Ana, que fui levar ao aeroporto, que a última vez que votei foi nas eleições legislativas portuguesas de 2011. Também quero ver um sistema diferente, maior participação popular, mais crítica e autonomia de pensamento.
Mas o que eu acho é que apesar de tudo (e desse tudo faz parte o conservadorismo ter saído do armário e a gente se perguntar afinal de contas o que queria essa gente que foi para a rua em junho de 2013) as forças que animam a vida social brasileira estão vivas, e recomendam-se.
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