Hoje na hora do almoço estava em cima da mesa este livro de fotografia : Anónimos + Famosos, do fotógrafo Gustavo Malheiros, sobre pessoas comuns que se destacaram no Rio de Janeiro, virando personagens queridas, por animarem as ruas e o quotidiano da cidade.
Lá consta o incrível Jacaré dos Patins que eu e minha amiga Fernanda vimos uma vez no Leme, o ‘Xuxa do Sinal’, figura conhecida dos motoristas que ficam
presos nos engarrafamentos da Barra da Tijuca, que imita a apresentadora Xuxa com peruca
loura e muita maquilhagem, Natasha Jascalevich, a ‘Mulher Cobra’ contorcionista que se apresenta na Praça da Bandeira, ou o Sheik do Pepê, um beduíno de lenço árabe, um camelo e uma odalisca sobre a areia.
Lançado em Março deste ano, na verdade o livro é uma 2ª edição que dá continuidade a um projeto de 2002: "Ainda existiam muitos outros personagens para serem mostrados. É, na realidade, um projeto que
nunca acaba”, diz Malheiros.
Sheik do Pepê / Marco Antonio Maciel
Praia do Pepê, Barra
Praia do Pepê, Barra
Um
beduíno de lenço árabe, um camelo e uma odalisca sobre a areia. Seria um
clichê oriental, mas o beduíno é paulista de Campos do Jordão,
descendente de italianos, o camelo é de fibra de vidro e a odalisca é
dançarina de samba. Marquinhos tem 60 anos e trabalha na areia, vestido
de árabe, há 30. Diz com segurança que é o maior vendedor de praia do
Brasil, chegando a vender mil salgados – entre esfirras, quibes e caftas
– em três horas no verão.
São fotografadas pessoas como o Índio de Niterói, que se apresenta caracterizado em qualquer lugar ou horário; o vendedor de amendoim que trabalha de terno num viaduto, mesmo naqueles dias em que os termômetros marcam mais de 40 graus, o gari da Comlurb que alegra o desfile de Carnaval no Sambódromo; Dona Suluca, de 75 anos de idade, uma das mais tradicionais baianas da Mangueira; ou Zé das Medalhas, balconista da Pharmácia do Leme que anda com quilos de cordões pendurados no pescoço. Alguns fazem ponto há décadas no mesmo local, como seu Francisco, morador de São João de Meriti, que vende rosas há 39 anos no bares da zona sul; outros representam a história do Centro da cidade, como Seu José, garçom da Confeitaria Colombo.










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