Língua

sexta-feira, 24 de abril de 2015

que pena

"ele já não gosta mais de mim" canta a Gal e o Caetano, nu, ao fundo, numa fotografia
cartão-postal de uma outra cidade onde os barcos se afundam
bem no meio do mar
mar de fim de maio ou
"então não"

pois ela era uma rosa
e as outras eram manjericão

e eu era eu, submissa e omissa, simpática e antipática
sem saber que esconder, afinal vim da guerra, de uma outra cidade
onde não molhei sequer os pés.

a poesia afunda-se
com o seu redemoinho de gestos
a vida toda, garantidos.

e que pena

que coisa

que vontade de beijar, e ser uma cena de filme
ou então não, 
o mato
propriamente dito
das vontades.



quinta-feira, 23 de abril de 2015

Salve Jorge

Hoje à hora de almoço passei pela rua do Lavradio e festejava-se o dia de São Jorge com samba, feijoada, e um altar de oferendas que servia de cenário para fotos.


Feriado desde 2001 no Estado do Rio, tal é a devoção a São Jorge, um guerreiro que acredita-se ter nascido no ano 280 na Capadócia (onde hoje fica a Turquia) e que é um exemplo do sincretismo religioso brasileiro: quando os escravos começaram a chegar ao Brasil vindos da África, eles adaptaram suas crenças para sobreviver ao domínio branco e católico fingindo ser devotos de São Jorge, quando na verdade adoravam a Ogum.