Língua

sábado, 30 de maio de 2015

Diário de Campo

criei um diário de campo virtual para dar conta da minha pesquisa final da Graduação em Antropologia, que irá até ao próximo ano de 2016: Minha Vizinha


domingo, 10 de maio de 2015

Imagens do Inconsciente

"Imagens do Inconsciente" aborda três histórias de vida, três casos clínicos. Procurei uma linguagem cinematográfica que permitisse narrar os filmes a partir dos próprios trabalhos pintados pelos artistas. Em um processo seletivo, as obras - que expressam o mundo interior do artista - vão revelando as idas e voltas da consciência e a sua despotencialização.
Quando a pessoa se despotencializa põe para fora, na pintura, os fantasmas que estavam dentro dela. Despotencializadas, permitem que as forças autocurativas se manifestem. 
Leon Hirszman

Hotel da Loucura

Sexta passada fui com a minha turma de Antropologia da Arte a Engenho de Dentro, visitar o hospital psiquiátrico D. Pedro II, que hoje recebe o nome de Instituto Nise da Silveira, em homenagem à psiquiatra alagoana. Primeiro fomos no Museu de Imagens do Inconsciente, criado por ela em 1952, e em seguida no Hotel da Loucura, ocupação que acontece lá desde 2012.

Eu tinha ido uma vez em 2008 visitar o Museu e os ateliers da terapia ocupacional, e fiquei com vontade de voltar pra filmar, tendo inclusive falado com o pessoal de lá nesse sentido, já que tenho um filme em working progress sobre saúde mental desde 2007, quando comecei a filmar alguns pacientes do centro de saúde mental de Alcântara, que é o bairro onde cresci em Lisboa. 

O tema da loucura e das relações que ela provoca interessa-me desde então, pois convivi de perto com esquizofrénicos e terapeutas, não só em Portugal como no Brasil, quando visitei a Estação dos Sonhos, outro centro de saúde diurno localizado em Betim, região metropolitana de Belo Horizonte.

Sexta feira muitas recordações me vieram à mente, de minhas tardes no jardim do Alto de Sto Amaro com a Teresa, que tinha namorado o filho do ex-presidente da República e que costumava cantar nos salões da alta sociedade, e que agora chorava vendo passarinho, da entrevista que fiz com uma paciente passando roupa a ferro na sua sala falando da arbitrariedade na prescrição dos remédios, dos seus efeitos colaterais. Lembrei-me do olhar do Rui na sua casa escura, com os estores quebrados, me mostrando suas construções em lego, e sua série de fotografias sobre os elétricos da Carris. Lembro-me que ele decorava a trajetória dos ônibus, sabia o nome de cada ponto. E lembrei-me do jeito engraçado de fumar da mulher à frente do grupo de teatro da Estação dos Sonhos, e de seu humor contagiante, quando se mascarou no baile dos anos 60 e dançou o Michael Jackson.

Uma média de 400 internos existe hoje no hospital de Engenho de Dentro. Muitos deles vivem nas enfermarias dos andares onde acontece a ocupação, que pretende cruzar artistas, pesquisadores, e trabalhadores da saúde, numa perspectiva de encontro através do afeto e da inclusão.

Aqui podemos ver alguns dos movimentos que têm vindo a esboçar-se no Hotel, que é a sede da Universidade Popular de Arte e Ciência

E aqui algumas fotos da minha visita