ontem tive mais uma entrevista com Guarassuy, minha vizinha indígena, com quem realizei um vídeo para o projeto Museu Encantador apresentado aqui no MAM o mês passado. Decidi desenvolver o projeto final de curso com ela, querendo explorar a relação entre sua identidade indígena e o poder do Estado. Minha ideia é tentar perceber até que ponto ela chama a si a origem do mito nacional ( já que foi trazida pelo trio de antropólogos mais famoso do Brasil, os irmãos Villas-Boas, fala que foi criada pelo ex-presidente do Brasil Jucelino Kubitschek em Diamantina, a quem chama de "segundo pai", e mais tarde se tornou inspetora da polícia (tendo inclusive uma vez morto a tiro dois homens e um cachorro)... quero perceber até que ponto suas histórias (inventadas ou não) podem ajudar a desconstruir a ideia de "identidade", e levar a pensar a atual luta pela demarcação das terras indígenas (que é sua principal preocupação e causa de sofrimento) em relação às demandas do projeto moderno (que, segundo as críticas de várias lideranças indígenas, é corroborado pelo governo de Dilma).
Ontem conheci finalmente o seu filho Carlos António (que falou que se sente aliviado por não ter recebido um nome indígena, tal como a mãe queria mas o pai não deixou...), e descobri várias coisas interessantes:
Descobri que o seu nome se escreve assim (ou pelo menos é assim que consta da caderneta da marinha) e não Guaraçuí como ela me havia dito... (segundo ela, o seu nome significa na língua nativa "Flor de Maracujá").
Que ela trabalhou como camareira para a Marinha Mercante desde 1963, altura da sua inscrição, quando tinha 25 anos, até pelo menos aos anos 90.
Ela me contou essa história muito louca de como se envolveu num tiroteio enquanto policial, e também falou que nunca teve realmente amigos na civilização, e que índio é muito "arredio". Prometeu falar mais sobre o tema da "inveja" num próximo encontro.
Descobri que o seu nome se escreve assim (ou pelo menos é assim que consta da caderneta da marinha) e não Guaraçuí como ela me havia dito... (segundo ela, o seu nome significa na língua nativa "Flor de Maracujá").
Que ela trabalhou como camareira para a Marinha Mercante desde 1963, altura da sua inscrição, quando tinha 25 anos, até pelo menos aos anos 90.
Ela me contou essa história muito louca de como se envolveu num tiroteio enquanto policial, e também falou que nunca teve realmente amigos na civilização, e que índio é muito "arredio". Prometeu falar mais sobre o tema da "inveja" num próximo encontro.
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