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domingo, 9 de novembro de 2014

celebrar o abandono

Vim agora de Santa Teresa e como sempre neste bairro achei uns stencils e graffitis bem interessantes no caminho... Infelizmente só estava com meu celular, pelo que a qualidade do meu registro não foi a melhor, mas captei vários dizeres e formas que me chamaram a atenção, dialogando com meu pensamento, como "coração: não faça o crime se não vai cumprir a pena" ou "eu sou o chão pensando" numa nuvem rente ao asfalto, ou este "como celebrar o abandono?", ou ainda um bastante colorido que achei a cara do Rio: "o desapego é meu e isso ninguém tira de mim".
 

Me lembrei desta menina que fotografei uma vez no aterro, quando lia meu livro e relaxava no sol, antes de ir no MAM. Ela e a amiga tentavam subir na árvore onde eu estava encostada.


" Deixar de chorar é se dá conta de seu próprio abandono "

Conversa entre a Irmã e a Santinha
Paraíso Novela 2009

O tema do abandono já inspirou muita reflexão e obra de arte, desde o Jacques Brel ao par de sapatos velhos da pintura de Van Gogh, que Heidegger interpreta na sua A Origem da Obra de Arte assim:
Sob a sola encontra-se a solidão do caminho do campo que se perde quando a noite cai. Nesses sapatos vibra o apelo silencioso da terra, seu dom silencioso do grão que amadurece, sua secreta recusa de si mesmo no árido pousio dos campos invernais.

Aceitando o desafio do cartaz, aqui fica esta conhecida música da Piaf, na versão da Cássia Eller.



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