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quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Sempre tenho a impressão que Philip Garrel é um cineasta que ainda não conheço (que vi uma ou outra vez numa sala no estrangeiro, talvez quando morei em Paris) e ao mesmo tempo são-me familiares cenas de seus filmes, como aquele início de uma plateia de crianças deslumbradas com um teatro de marionetas, os seus olhos e os risos ao nível da câmara, ou alguém que espera junto a um carro abandonado, encostado à parede, fumando... pois tal como diz o artigo Philippe Garrel, Cinema Vulcânico, da excelente revista de crítica eletrónica Contracampo "o cinema de Garrel é acima de tudo um cinema de situações, de pedaços desgarrados de tempo e espaço, de impressões, delírios, indecisões, medos, indefinições, prazeres."

Philippe Garrel faz parte de uma geração no cinema francês que desconfiou dos poderes e dos pressupostos da narrativa, e aproveitou o momento de liberação que foi a Nouvelle Vague para fazer seu estilo evoluir não exactamente contra (como Godard), mas antes buscando algo primitivo, algo originário na imagem, que teria sido desvirtuado por uma ênfase eminentemente narrativa do cinema.

Aqui dois momentos que escolhi entre tantos outros que fazem do seu cinema uma experiência singular, e que me dão vontade de conhecer mais.


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