a minha noite ontem foi marcada pela surrealidade e pelo afeto, feito de novos encontros e também de memórias comuns entre Lisboa e o Rio. Começou com um casamento num casarão em Santa Teresa, em que a noiva cortou o dedo e foi parar ao hospital, e então os convidados ficaram esperando por ela para dar início à cerimônia, realizada num jardim felliniano decorado com unicórnios e girafas gigantes, desenhos pelo ar, por cima de uma língua de almofadas e lâmpadas coloridas. No meio da sala de entrada tinha esta gata mãe com seus filhotes recentes, mamando.
No final da noite, depois de um concerto punk-rock da banda "A batida que o seu coração pulou" num clube alternativo no centro do Rio, que adorei conhecer, acabámos numa festinha de rua com música ao vivo perto da praça Tiradentes, com um boteco encantador às cores lilás e azul, grades de cerveja amontoadas, um banheiro sem porta, e uma linda e antiga jukebox de parede, absoleta. A música estava na rua, e era essa mistura heterogênea de estrangeiros com sem-abrigo, estudantes, novos e velhos dançando, que podemos encontrar aqui, celebrando o momento ao som instrumental dos hits de Vinicius, Tom Jobim, ou do Carimbó.
Às tantas apareceu este gato, que ficou pairando sobre nós.


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