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sábado, 10 de outubro de 2015

Rabeca


Ontem tive uma aula maravilhosa no Museu Nacional sobre a rabeca, dada pelo professor Daniel Bitter, que aqui interpreta uma música tradicional da folia de reis de Minas Gerais.


A rabeca é um instrumento difundido em diversas regiões do Brasil, associada a contextos musicais populares. Trata-se de um cordofone tangido por um arco, de fabricação artesanal. Introduzida no Brasil pelos colonizadores portugueses, a rabeca foi alvo de avaliações depreciativas em consequência de uma percepção evolucionista e etnocentrica do Ocidente moderno. Dentro deste quadro creditou-se estatuto superior ao violino, instrumento que emblematicamente incorporou valores caros ao universo da música de concerto. Impulsionada por ideais iluministas, a música europeia erudita atravessou a modernidade na direção de uma forte canonização das suas formações instrumentais, de suas técnicas e modos de interpretar, adotando alguns procedimentos tais como o tonalismo, a escrita como fonte de sentido e o temperamento igual, entre outros. A rabeca, por sua vez, seguiu caminhos diversificados e, sobretudo, livres de quaisquer padrões. Sua sonoridade tornou-se mais afeita à não uniformidade e sua práxis seguiu orientando-se pela oralidade e pela retórica do discurso cotidiano. Mais recentemente a rabeca tem sido apropriada por músicos de formação erudita em busca de alternativas para a renovação da linguagem musical universalista do Ocidente. A ambiguidade tem sido a marca da relação que o Ocidente moderno estabeleceu com a música de outros povos, ganhando contornos específicos nos movimentos nacionalistas românticos e nos “primitivismos” estéticos modernista e pós-modernista.

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